A disputa pela presidência da Câmara Municipal de Simões Filho entrou em uma nova fase de incertezas, com o prefeito Del Soares ganhando protagonismo nas articulações políticas que cercam a eleição da Mesa Diretora para o biênio 2027/2028. O movimento coloca o atual presidente do Legislativo, Itus Ramos, diante de um cenário delicado e levanta uma questão nos bastidores da política local: qual será o futuro do vereador caso não consiga permanecer no comando da Casa?
Em entrevista, Itus demonstrou cautela ao avaliar a força de seu grupo político e admitiu que não considera garantidos os votos dos parlamentares que hoje integram a base governista.
A declaração contrasta com o cenário de articulação que já chegou a apontar uma vantagem de 11 votos para o atual presidente contra seis atribuídos ao vereador Sid Serra, nome apoiado pelo prefeito Del Soares.
“A gente só tem os votos quando há eleição. O voto que eu tenho de garantia é o meu, porque eu voto em mim”, afirmou Itus, reconhecendo que o resultado só será definido no momento da votação.
Del Soares muda o tabuleiro político
O prefeito Del Soares passou a ocupar uma posição central na disputa ao trabalhar pela candidatura de Sid Serra. As articulações em torno do nome governista movimentam as relações entre os vereadores e colocam em xeque a unidade do grupo que sustentava a possibilidade de reeleição de Itus Ramos.
Nos bastidores, a disputa deixou de ser apenas uma corrida pelo comando da Câmara e passou a representar um teste de força política entre os grupos envolvidos. A capacidade de Del de reorganizar apoios e construir uma maioria para Sid pode alterar o equilíbrio de poder no Legislativo municipal.
Itus, por sua vez, sinalizou que a proximidade de alguns parlamentares com o Executivo não significa necessariamente fidelidade na eleição da Mesa Diretora. Segundo ele, o comportamento dos vereadores nas articulações políticas nem sempre corresponde ao posicionamento que será adotado diante da urna.
O que será de Itus sem a presidência?
Caso não consiga os votos necessários para permanecer na presidência, Itus Ramos terá de lidar com uma nova realidade política. Sem o comando administrativo do Legislativo, o vereador poderá precisar redefinir sua estratégia, reorganizar alianças e buscar um novo espaço de atuação no cenário municipal.
A eventual perda da presidência também levantaria questionamentos sobre a capacidade de manutenção de seu grupo político e sobre o peso que o parlamentar terá nas próximas decisões da Câmara. Por enquanto, não há definição sobre os caminhos que Itus poderá seguir caso seja derrotado.
A disputa, portanto, coloca uma pergunta no centro do debate político de Simões Filho: sem a presidência da Câmara e diante das articulações conduzidas por Del Soares, para onde irá Itus Ramos e qual será sua força política a partir de 2027?
Eleição marcada para novembro
A escolha da nova Mesa Diretora está prevista para 1º de novembro, após o adiamento do calendário inicialmente estabelecido para outubro, em meio a desdobramentos judiciais.
Além de definir quem comandará a Câmara entre 2027 e 2028, a votação deverá indicar como ficará a correlação de forças entre o governo municipal e os grupos políticos do Legislativo.
Até lá, a contagem de votos continuará sendo um dos principais elementos da disputa. A declaração de Itus evidencia que, apesar das alianças anunciadas, o resultado permanece em aberto — e que a movimentação de Del Soares poderá ser decisiva para o desfecho da eleição.
Por Ataíde Barbosa


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