Um dia depois de assinar a medida provisória que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade das chamadas bets no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender a decisão durante um ato de campanha em São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo, neste sábado (26).
Durante a caminhada, Lula afirmou que adotou uma medida que considera “muito drástica” diante dos relatos de pessoas que teriam enfrentado dificuldades financeiras e problemas pessoais relacionados às apostas. O presidente disse que recebeu relatos de famílias afetadas pelo endividamento provocado pelo jogo.
“Ontem tomei uma atitude muito drástica. Sei que aqui no meio tem gente endividada com bets. Porque as bets virou uma desgraça na vida das pessoas pobres”, declarou.
Na sequência, Lula mencionou casos de pessoas que, segundo ele, chegaram a tirar a própria vida após acumularem dívidas relacionadas às apostas. O presidente usou esses relatos para justificar a decisão do governo de interromper a atividade das plataformas.
“Por isso fiz uma medida provisória acabando com as bets no Brasil”, afirmou.
A Medida Provisória nº 1.394, assinada em 25 de setembro, determina a proibição da exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa em território nacional. A medida alcança tanto apostas esportivas quanto jogos online e também prevê regras para atividades autorizadas por estados e pelo Distrito Federal.
Lula também criticou o modelo de negócio das plataformas e afirmou que quem pretende aumentar a renda deve buscar outras formas de obter dinheiro.
“Quem quiser ganhar dinheiro, que arrume um jeito honesto de ganhar. Não matando o povo pobre e endividando o povo pobre”, disse o presidente.
A decisão do governo ocorre em meio à ampliação das discussões sobre os efeitos econômicos e sociais das apostas online. Além da MP que proíbe as bets, o governo anunciou outras medidas relacionadas à proteção de famílias endividadas e ao combate à atuação ilegal no setor.
A declaração foi feita na reta final da campanha eleitoral. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Ricardo Stuckert


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