A hipertensão arterial pode evoluir durante anos sem provocar sinais perceptíveis. Mesmo sem dor ou qualquer alteração no dia a dia, a pressão elevada pode causar danos progressivos ao coração, aos vasos sanguíneos, ao cérebro e aos rins, aumentando o risco de problemas como acidente vascular cerebral (AVC), infarto e doença renal.
De acordo com a neurologista Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC, justamente por ser silenciosa, a doença exige acompanhamento regular. Segundo ela, não sentir nenhum desconforto não significa que a pressão esteja controlada.
A especialista destaca que a hipertensão é o principal fator de risco para o AVC. Por isso, medir a pressão regularmente e seguir corretamente o tratamento são medidas importantes para reduzir o risco de complicações.
Quando os medicamentos não são suficientes
Em parte dos pacientes, controlar a pressão pode ser mais difícil. É o caso da chamada hipertensão resistente, diagnosticada quando os níveis permanecem acima da meta mesmo com o uso adequado de três diferentes classes de medicamentos, incluindo um diurético, nas doses máximas ou máximas toleradas.
Também são considerados resistentes os pacientes que conseguem atingir a pressão-alvo, mas precisam de quatro ou mais medicamentos para manter o controle.
Antes de confirmar esse diagnóstico, porém, os médicos precisam descartar outras situações que podem fazer a pressão parecer mais difícil de controlar. Entre elas estão erros na medição, falta de adesão ao tratamento, hábitos de vida, uso de determinados medicamentos ou substâncias e doenças que provocam hipertensão secundária.
Outro ponto avaliado é o chamado efeito do avental branco, quando a pressão aumenta durante uma consulta devido ao nervosismo ou à ansiedade.
“Antes de estabelecer o diagnóstico, o médico precisa avaliar fatores como a técnica utilizada para medir a pressão, o chamado ‘efeito do avental branco’, a adesão correta ao tratamento, hábitos de vida, uso de outras substâncias ou medicamentos que possam elevar a pressão e a presença de doenças que provoquem hipertensão secundária”, explica Sheila.
Hipertensão refratária é ainda mais difícil de controlar
Existe ainda uma parcela menor de pacientes cuja pressão permanece elevada mesmo após uma estratégia terapêutica mais intensa. É a chamada hipertensão refratária.
Segundo a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025, a condição é caracterizada pela persistência da pressão acima das metas individualizadas em pacientes com hipertensão resistente verdadeira, mesmo diante do uso de cinco ou mais medicamentos anti-hipertensivos.
A diferença entre os dois quadros está, principalmente, na intensidade da dificuldade de controle. Enquanto a hipertensão resistente envolve a necessidade de três ou mais medicamentos em determinadas condições, a forma refratária persiste mesmo com uma combinação terapêutica ainda mais ampla.
Pressão elevada durante o tratamento precisa ser investigada
Uma pressão que continua acima da meta não deve ser simplesmente considerada uma característica permanente do paciente. É necessário entender o motivo pelo qual o tratamento não está produzindo o resultado esperado.
A investigação pode incluir medições realizadas fora do consultório, revisão dos medicamentos utilizados, avaliação da rotina e dos hábitos de vida e busca por doenças que possam estar provocando ou agravando a hipertensão.
“Quando uma pessoa está fazendo o tratamento e a pressão permanece elevada, não devemos simplesmente aceitar que ‘a pressão dela é alta mesmo’. É preciso investigar por que isso está acontecendo”, afirma Sheila.
Medição é a principal forma de identificar o problema
Como a hipertensão costuma não apresentar sintomas, a sensação de bem-estar não serve como parâmetro para saber se a pressão está controlada.
“A única forma de saber é medir”, reforça a neurologista.
Para quem já recebeu o diagnóstico, é importante manter o acompanhamento médico e não interromper ou modificar os medicamentos por conta própria. Alimentação equilibrada, redução do consumo excessivo de sal, atividade física, controle do peso, não fumar e limitar o consumo de álcool também podem contribuir para o controle da pressão.
A atenção é especialmente importante porque o controle adequado da hipertensão pode reduzir o risco de complicações graves, entre elas AVC, infarto, insuficiência cardíaca e doença renal.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Getty Image





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