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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Anvisa aprova novo medicamento oral para tratamento do câncer de mama avançado no Brasil


O tratamento do câncer de mama no Brasil ganhou uma nova alternativa com a aprovação do Etcamah (camizestranto), medicamento oral que recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta segunda-feira (21). Desenvolvido pela farmacêutica AstraZeneca, o produto é destinado a pacientes adultos com câncer de mama localmente avançado ou metastático que apresentam determinadas características hormonais e genéticas.

A novidade está relacionada à possibilidade de utilizar uma terapia direcionada a pacientes que desenvolvem uma alteração no gene ESR1 durante o tratamento hormonal. Essa mutação pode favorecer a resistência a determinados medicamentos, tornando necessária a adoção de estratégias específicas para controlar a doença.

O Etcamah é indicado para pacientes com tumores positivos para receptor de estrogênio (ER+) e negativos para HER2 (HER2-), que tenham desenvolvido a mutação ESR1 após pelo menos seis meses de tratamento com terapia endócrina associada a um inibidor de CDK4/6.

Outro critério importante é que a doença ainda não tenha apresentado sinais de progressão clínica ou radiológica.

Como o medicamento atua no organismo?

O camizestranto integra uma classe de medicamentos conhecida como degradadores seletivos do receptor de estrogênio, chamados de SERDs.

Sua ação consiste em bloquear e promover a degradação dos receptores hormonais que contribuem para o crescimento de determinados tumores mamários.

Ao interferir nesse mecanismo, o medicamento busca limitar a atividade do estrogênio sobre as células cancerígenas e contribuir para o controle da doença.

A identificação da mutação ESR1 é fundamental para determinar quais pacientes poderão se beneficiar dessa abordagem terapêutica. Por isso, a indicação depende de avaliação médica especializada e da confirmação das características moleculares do tumor.

Quando o medicamento estará disponível?

Com a concessão do registro sanitário, a AstraZeneca está autorizada a comercializar o Etcamah no território brasileiro, respeitando as condições estabelecidas pela Anvisa.

Antes da comercialização, entretanto, o medicamento deverá passar pela análise da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão responsável pela definição do preço máximo de venda no país.

A aprovação também não garante a disponibilização imediata do tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), uma vez que sua eventual incorporação à rede pública depende de procedimentos específicos de avaliação.

Tratamento individualizado ganha espaço na oncologia

A chegada do camizestranto reforça a importância da identificação das características genéticas dos tumores na escolha das estratégias de tratamento do câncer de mama.

Com o avanço das pesquisas e o desenvolvimento de medicamentos direcionados a alterações moleculares específicas, os profissionais de saúde passam a contar com novas possibilidades para definir a conduta terapêutica de acordo com as necessidades de cada paciente.

No caso do Etcamah, a proposta é oferecer uma alternativa para pacientes com mutação ESR1 identificada durante a terapia hormonal, antes que sejam constatados sinais de progressão da doença.

A indicação do medicamento deverá ser realizada exclusivamente pelo oncologista, após avaliação do histórico clínico, dos tratamentos anteriores e dos resultados dos exames necessários. A nova terapia não substitui os demais tratamentos disponíveis e não é indicada para todos os tipos de câncer de mama.




Por Ataíde Barbosa/Foto: Reprodução

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