Durante participação no programa Panorama de Notícias na tarde desta quarta-feira (1º) na Rádio Simões Filho FM 87.9, o pároco da Igreja São Miguel de Cotegipe, padre Carlos Fernando, trouxe uma profunda reflexão sobre o significado da Semana Santa para os cristãos, destacando a importância do silêncio, da introspecção e da vivência espiritual neste período.
Com dois anos à frente da paróquia no município, o sacerdote, natural de Santo Amaro da Purificação e criado em Terra Nova, afirmou que tem encontrado na comunidade local um povo acolhedor e comprometido com o crescimento da fé. Ordenado em 2016, ele completa uma década de ministério sacerdotal em 2026.
Ao abordar a Sexta-feira da Paixão, considerada uma das datas mais importantes do calendário cristão, o padre explicou que o momento vai além de uma simples tradição religiosa.
“É um dia marcado pelo silêncio, pelo jejum e pela reflexão. Somos convidados a estar aos pés da cruz e compreender o amor de Cristo, que entregou sua vida por nós”, afirmou.
Segundo ele, toda a Semana Santa — iniciada no Domingo de Ramos e culminando no Domingo de Páscoa — representa um caminho espiritual que prepara os fiéis para a celebração da ressurreição de Jesus.
“Não é apenas um momento simbólico, mas uma experiência de fé que nos chama à conversão e à revisão de vida”, destacou.
O sacerdote também esclareceu práticas tradicionais, como a abstinência de carne na Sexta-feira Santa. De acordo com ele, o gesto tem um significado espiritual ligado ao sacrifício de Cristo.
“Mais do que uma obrigação, é uma forma de recordar o sofrimento do Senhor e exercitar a disciplina e a solidariedade”, explicou.
Durante a entrevista, o padre ressaltou ainda o papel da Igreja em meio aos desafios sociais e políticos atuais. Sem entrar em debates ideológicos, ele reforçou que a missão principal é conduzir as pessoas a uma vivência autêntica da fé.
“Nosso papel é guiar o povo ao encontro com Deus. A fé não se impõe, ela se propõe”, afirmou.
Ao comentar sobre a diversidade religiosa e o crescimento de outras denominações no Brasil, o pároco destacou que não vê a situação como disputa, mas como oportunidade de testemunho.
“A missão da Igreja é apresentar Jesus. A partir desse encontro, cada pessoa faz seu caminho”, disse.
Outro ponto abordado foi a religiosidade na atualidade. Para o padre, há um movimento de retorno à fé, especialmente entre jovens.
“O ser humano tem um vazio que só Deus pode preencher. Vejo hoje muitas pessoas buscando essa experiência mais profunda com o Senhor”, pontuou.
Sobre tradições populares, como a “malhação de Judas”, ele esclareceu que não fazem parte da liturgia oficial da Igreja.
“São manifestações culturais do povo. A Igreja orienta que o Sábado Santo seja vivido em silêncio e recolhimento, aguardando a celebração da Vigília Pascal”, explicou.
Encerrando a entrevista, o sacerdote reforçou que a Semana Santa é um convite à transformação interior.
“Não há como contemplar o sofrimento de Cristo e permanecer o mesmo. É um tempo de rever a vida e renovar a esperança na ressurreição”, concluiu.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Romário dos Santos


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