A celebração da Páscoa de 2026 chega com um alívio para o bolso do consumidor brasileiro: o custo da cesta de produtos típicos caiu 5,73% em relação ao ano passado, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas. É o segundo ano consecutivo de queda, após o recuo de 6,77% registrado em 2025.
O resultado contrasta com a inflação geral medida pelo IPC-10, que acumulou alta de 3,18% no mesmo período. Ainda assim, o cenário não é de queda generalizada. Alguns dos itens mais tradicionais da data seguem pesando no orçamento das famílias, especialmente os chocolates.
Bombons e chocolates tiveram alta expressiva de 16,71%, enquanto o bacalhau subiu 9,9%. Outros produtos como sardinha em conserva e atum também registraram aumentos relevantes. Por outro lado, itens básicos como arroz, ovos e azeite apresentaram forte queda de preços, ajudando a puxar o índice geral para baixo.
De acordo com o economista Matheus Dias, do Ibre/FGV, a redução no custo da cesta está ligada principalmente à melhora na produção agrícola, que impacta diretamente alimentos in natura. No entanto, esse efeito demora mais a chegar aos produtos industrializados.
“O consumidor ainda não sente de imediato a queda das matérias-primas em produtos como chocolate”, explica. Mesmo com o recuo no preço do cacau no mercado internacional nos últimos meses, o repasse ao consumidor final ocorre de forma lenta.
Outro fator que influencia os preços é a concentração do mercado. Estudos apontam que poucas empresas dominam grande parte da produção de chocolates no país, o que reduz a concorrência e mantém os preços elevados.
A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados destaca que o valor dos produtos vai além do cacau, envolvendo custos como leite, açúcar, transporte e variação cambial. Além disso, problemas climáticos recentes, como os impactos do El Niño, afetaram a produção global de cacau, especialmente em países africanos.
Apesar das oscilações de preços, o consumo segue aquecido. Uma pesquisa do Instituto Locomotiva aponta que 90% dos brasileiros pretendem comprar produtos relacionados à Páscoa neste ano. A indústria também projeta crescimento, com aumento na oferta de itens e geração de empregos temporários.
No balanço geral, a Páscoa de 2026 mostra um cenário misto: enquanto a cesta ficou mais barata, os produtos mais simbólicos da data continuam em alta — exigindo planejamento dos consumidores na hora das compras.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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