O que deveria ser um gesto de solidariedade e tradição durante a Semana Santa acabou se transformando em motivo de revolta para moradores de Simões Filho. A distribuição de peixes promovida pela prefeitura foi marcada por falhas na organização, denúncias de descontrole e relatos de famílias que, mesmo com o ticket em mãos, não conseguiram receber o benefício.
Diferente de cidades vizinhas como Camaçari e São Francisco do Conde, que adotaram sistemas com QR Code para garantir mais segurança e transparência, o município manteve um modelo tradicional, baseado apenas na entrega de tickets físicos — o que abriu brechas para possíveis irregularidades.
Nos pontos de distribuição, o cenário foi de frustração. Moradores enfrentaram longas filas e, ao chegarem ao momento da retirada, foram informados de que o estoque havia acabado.
“Fiquei horas esperando e, no final, voltei sem nada. É revoltante”, relatou uma moradora, que preferiu não se identificar.
A situação ganhou ainda mais repercussão após a circulação de imagens nas redes sociais mostrando o próprio prefeito participando da entrega dos peixes de forma considerada desorganizada. Segundo testemunhas, houve casos de pessoas apresentando múltiplos tickets, sem qualquer tipo de verificação sobre a autenticidade dos comprovantes.
Para especialistas em gestão pública, o problema não está em quem recebeu mais de um peixe, mas na ausência de um sistema eficiente de controle. Sem validação digital ou mecanismos de conferência mais rigorosos, torna-se impossível garantir que a distribuição seja feita de forma justa.
Em contrapartida, municípios que adotaram tecnologia conseguiram reduzir falhas. Com o uso de QR Code, cada beneficiário possui um código único, validado na hora da retirada, evitando duplicidades e assegurando que o auxílio chegue a quem realmente precisa.
Diante dos transtornos, moradores cobram mais planejamento e modernização por parte da gestão municipal. Para muitos, o episódio evidencia a necessidade urgente de atualizar os processos e investir em soluções que tragam mais transparência e eficiência às ações sociais, especialmente em períodos tão simbólicos quanto a Semana Santa.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Rede Imprensa


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