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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Reajuste na conta de luz na Bahia pode pressionar preços e impactar comércio, aponta especialista

A decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica de autorizar o reajuste nas tarifas de energia elétrica já começa a acender um alerta na economia baiana. No estado, o aumento médio será de 5,85% para os consumidores atendidos pela Neoenergia Coelba, que cobre 415 dos 417 municípios e atende cerca de 6,92 milhões de unidades consumidoras.

Embora o impacto seja imediato na conta de luz das residências, especialistas alertam que os efeitos vão muito além do consumo doméstico. O economista Edval Landulfo, presidente do Conselho Regional de Economia da Bahia, explica que a energia elétrica é um custo essencial e contínuo dentro da cadeia produtiva.

Segundo ele, setores como padarias, mercados e pequenos comércios estão entre os mais afetados, devido à dependência de equipamentos elétricos como fornos, freezers, câmaras de fermentação e sistemas de iluminação. “A energia é um custo invisível, mas constante. Está presente em todas as etapas da produção e da comercialização”, destaca.

Landulfo aponta que esse aumento gera um efeito em cadeia: a indústria passa a pagar mais caro para produzir, o custo de armazenamento sobe e a logística também é impactada. Como resultado, esses aumentos acabam sendo repassados ao consumidor final.

Estudos citados pelo economista indicam que a energia elétrica pode representar entre 15% e 25% dos custos operacionais de pequenos mercados. Já em grandes redes, esse valor pode ser equivalente à margem de lucro líquido, o que aumenta a pressão para reajustes de preços.

Além disso, há reflexos diretos na inflação. O especialista lembra que o aumento da tarifa pode acrescentar cerca de 0,4 ponto percentual ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, indicador oficial medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Os pequenos negócios tendem a sentir ainda mais o impacto, já que possuem menor capacidade de absorver custos. Diante desse cenário, muitos estabelecimentos devem rever estratégias, ajustar horários de funcionamento e buscar alternativas para equilibrar as contas.

Na prática, o consumidor pode não perceber imediatamente o aumento apenas na conta de luz, mas sentirá os efeitos gradualmente nos preços de alimentos, produtos refrigerados e serviços. O reajuste, portanto, reforça a pressão inflacionária de forma indireta, atingindo diferentes setores da economia.




Por Ataíde Barbosa/Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

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