Quase três anos após o brutal assassinato de Mãe Bernadete, líder quilombola e Ialorixá reconhecida em todo o estado, o início do julgamento de dois dos seis acusados marca um momento decisivo na busca por justiça. O caso, que chocou a Bahia em agosto de 2023, volta ao centro das atenções com o júri popular de Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos, apontados como participantes diretos no crime.
A expectativa da acusação é de uma resposta firme do Judiciário. De acordo com a advogada Isabela Dario, que atua como assistente no caso, o conjunto de provas reunidas ao longo da investigação é robusto e sustenta a tese de condenação. Entre os elementos apresentados estão laudos periciais e depoimentos que, segundo ela, não deixam dúvidas quanto ao envolvimento dos réus.
Apesar disso, a defesa reconhece que fatores legais podem influenciar no desfecho. No caso de Arielson, que confessou participação, a legislação prevê հնարավոր redução de pena, o que pode impactar na decisão final da magistrada responsável pela sessão.
Mais do que um julgamento criminal, o caso é visto por autoridades como um símbolo da luta contra a violência direcionada a lideranças sociais e religiosas. O secretário de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, destacou que o momento representa uma oportunidade de reafirmar o compromisso do Estado com a proteção de defensores de direitos humanos e com o combate à impunidade.
O assassinato de Mãe Bernadete ocorreu dentro de sua residência, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, quando homens armados invadiram o imóvel e efetuaram diversos disparos. A execução, marcada pela violência extrema, gerou comoção nacional e levantou questionamentos sobre a segurança de lideranças quilombolas na Bahia.
Com o andamento do júri, cresce a expectativa não apenas por uma condenação, mas por uma resposta institucional que vá além da punição dos envolvidos, reforçando políticas de proteção e garantindo que crimes dessa natureza não se repitam.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Arte sobre foto de Walisson Braga/Conaq


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