A Bahia está entre os estados brasileiros com maior gasto médio por detento no sistema prisional, segundo dados divulgados pela Secretaria Nacional de Políticas Penais, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Em 2026, o custo mensal por preso no estado alcançou R$ 3.449,56, valor superior a dois salários mínimos e acima da média registrada em diversas unidades da federação.
Os números chamam ainda mais atenção no recorte mais recente do levantamento. Apenas no mês de fevereiro, o custo médio por interno no sistema penitenciário baiano chegou a R$ 4.403,35, colocando o estado entre os mais caros do país em despesas carcerárias, superando inclusive estados historicamente apontados com altos investimentos no setor.
O cenário ocorre em meio a uma série de denúncias envolvendo o sistema prisional da Bahia, especialmente após o avanço das investigações sobre a fuga de 16 detentos do Conjunto Penal de Eunápolis, ocorrida no fim de 2024. O caso ganhou repercussão nacional após detalhes da delação premiada da ex-diretora da unidade, Joneuma Silva Neres, virem à tona.
De acordo com as apurações do Ministério Público da Bahia, a fuga teria sido planejada ao longo de semanas, envolvendo facilitação interna, visitas privilegiadas e apoio operacional. Conversas obtidas durante as investigações apontam ainda tentativas de articulação política e reações à repercussão do caso após o afastamento da então diretora.
Nomes ligados ao cenário político baiano também aparecem citados na delação, ampliando a dimensão das investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O episódio intensificou o debate sobre gestão penitenciária, fiscalização das unidades e uso de recursos públicos destinados ao sistema prisional no estado.
Enquanto isso, os dados oficiais reforçam o peso financeiro da estrutura carcerária baiana, que atualmente apresenta custos superiores aos registrados em estados como São Paulo e Distrito Federal, alimentando discussões sobre eficiência, segurança e transparência na administração do sistema penitenciário.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Reprodução / Seap BA


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