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segunda-feira, 9 de março de 2026

Armas de fogo seguem como principal meio em homicídios de mulheres no Brasil, aponta estudo

Quase metade das mulheres assassinadas no Brasil em 2024 morreu vítima de disparos de arma de fogo. É o que revela o estudo “Pela Vida das Mulheres: o Papel da Arma de Fogo na Violência de Gênero”, divulgado neste domingo (8) pelo Instituto Sou da Paz.

De acordo com o levantamento, 47% dos homicídios de mulheres registrados no país no último ano foram cometidos com esse tipo de arma. Ao todo, 3.642 mulheres perderam a vida em crimes classificados como homicídio em 2024, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.

A pesquisa considera diferentes situações enquadradas como homicídio, incluindo feminicídios, agressões letais e mortes decorrentes de intervenção policial. Apesar de uma redução geral nas mortes violentas, o recuo foi menor entre as mulheres. Entre 2020 e 2024, os homicídios femininos caíram 5%, enquanto as mortes de homens tiveram queda mais acentuada, de 15% no mesmo período.

No caso específico dos assassinatos cometidos com arma de fogo, houve diminuição de 12% no período analisado. Ainda assim, esse continua sendo o principal instrumento utilizado nos crimes contra mulheres.

Segundo especialistas em segurança pública, a predominância das armas de fogo está associada ao seu alto potencial letal. Em casos de feminicídio, a presença desse tipo de arma pode aumentar significativamente o risco de morte da vítima em comparação com outras formas de violência.

O estudo também aponta que os feminicídios — quando o crime ocorre em razão do gênero da vítima — representaram cerca de 40% dos assassinatos de mulheres em 2024. Foram 1.492 casos registrados no ano, proporção superior à de 2023, quando esse tipo de crime correspondeu a 36,8% das mortes.

Entre os feminicídios, a maioria foi cometida com arma branca, responsável por 48% dos casos. As armas de fogo aparecem em seguida, utilizadas em 23% das ocorrências.

Outro dado relevante diz respeito ao local dos crimes. Em 2024, 35% dos homicídios de mulheres ocorreram dentro de residências, enquanto 29% aconteceram em vias públicas. Considerando apenas os casos em que o local foi informado, quase metade das mortes ocorreu dentro de casa.

A análise também mostra diferenças de acordo com o tipo de arma utilizada. Assassinatos cometidos com arma de fogo são mais frequentes em espaços públicos, enquanto crimes realizados por outros meios tendem a ocorrer principalmente no ambiente doméstico.

Entre 2020 e 2024, os homicídios de mulheres com arma de fogo dentro de residências registraram queda de 19%. Em contrapartida, as mortes no mesmo ambiente provocadas por outros meios cresceram 16% no período analisado.




Por Ataíde Barbosa/Foto: Freepik

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