Fugir do empurra-empurra, evitar longos deslocamentos a pé em meio à multidão e chegar com tranquilidade aos camarotes mais disputados do Carnaval de Salvador têm levado um número crescente de foliões a contratar serviços de segurança privada. Neste ano, especialmente entre turistas, o custo da escolta pode chegar a R$ 500 por dia, apenas para o acompanhamento até a porta do camarote ou na saída dos circuitos.
Segundo Carlos Franca, representante da FBA Segurança, a procura pelo serviço cresceu cerca de 40% em relação ao Carnaval do ano passado. Entre as opções mais demandadas está o acompanhamento pontual, em que o profissional conduz o cliente do camarote até a saída do circuito ou faz o trajeto inverso, garantindo mais mobilidade e menos exposição aos riscos da festa.
Outra modalidade bastante procurada é a escolta completa, que inclui o deslocamento do aeroporto até o hotel e, posteriormente, até os camarotes.
“Muitos turistas chegam inseguros, com receio de desembarcar em Salvador, pegar um aplicativo de transporte e ir sozinhos até o hotel. Por isso, agregamos o serviço de recepção no aeroporto, traslado ao hotel e acompanhamento até o camarote”, explica Franca.
O crescimento da busca por segurança privada acompanha o alto padrão de consumo de parte do público do Carnaval. Fundado em 1978, o Bloco Camaleão, comandado por Bell Marques, é um dos mais tradicionais e também o mais caro da folia soteropolitana. Os valores variam entre R$ 1.610 e R$ 2.150 por dia, a depender da data e do ponto de venda. O pacote para os três dias de desfile no circuito Barra-Ondina chega a R$ 5.270.
O perfil dos clientes que contratam escolta é diversificado, mas predominam turistas de fora da Bahia, muitos deles em casais ou grupos. Além do acompanhamento até camarotes, empresas especializadas oferecem serviços mais robustos, como carros blindados, segurança armada e escolta contínua durante todo o período no circuito. O aluguel de um veículo blindado pode custar até R$ 3 mil por dia.
Há ainda a modalidade de escolta atrás do trio elétrico, em que o segurança acompanha o folião durante todo o percurso do desfile, permanecendo ao seu lado por períodos que podem variar entre 12 e 24 horas, conforme o contrato. O serviço é comum entre turistas estrangeiros, empresários e grupos que buscam circular com mais liberdade e menor exposição a furtos ou tumultos.
No Carnaval passado, por exemplo, uma empresa realizou a escolta de um grupo de turistas coreanos dentro de um bloco comandado por Bell Marques, acompanhando-os durante todo o percurso no circuito Barra-Ondina. O caso ilustra uma tendência cada vez mais presente na maior festa de rua do país: a busca por conforto, exclusividade e segurança em meio à multidão.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Arisson Marinho/CORREIO


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