Balas coloridas, cheiro adocicado e aparência inofensiva. À primeira vista, nada parece fora do comum. No entanto, por trás do visual atrativo, escondem-se drogas sintéticas que já circulam em Salvador e em cidades da Região Metropolitana, como Lauro de Freitas, Simões Filho e Camaçari. O produto é conhecido nas ruas como “jujuba de nóia”.
A preocupação das autoridades e profissionais de saúde cresce porque o formato facilita o acesso, inclusive por crianças e adolescentes. O risco não está apenas no consumo intencional, mas também na ingestão acidental ou quando a bala é oferecida sem que a pessoa saiba que se trata de uma droga. É nesse cenário que o perigo se agrava.
Quatro perigos que exigem atenção
A aparência dessas drogas é um dos principais fatores de alerta. As balas imitam jujubas comuns vendidas em supermercados e costumam ser embaladas em saquinhos bem apresentados, o que dificulta a identificação imediata.
1. Aparência que engana
As cores, os formatos e a apresentação são pensados para reduzir a desconfiança. Visualmente, não há diferença clara entre a jujuba comum e a versão adulterada com drogas.
2. Consumo sem conhecimento
Por causa desse visual, pessoas podem ingerir a substância sem saber do que se trata, seja por engano ou ao receber a bala de terceiros sem qualquer informação sobre o conteúdo.
3. Risco elevado para crianças
Dentro de casa, o perigo se intensifica. Usuários podem deixar essas balas ao alcance de crianças, que não têm capacidade de diferenciar um doce comum de uma droga. A ingestão acidental pode provocar reações graves e exigir atendimento médico imediato.
4. Consumo excessivo e risco de morte
O aspecto inofensivo favorece o uso em excesso. A potência da substância não corresponde à aparência de doce. Além disso, por serem produzidas em laboratórios clandestinos, essas drogas não passam por controle de qualidade. A composição varia entre os lotes e pode incluir substâncias perigosas, aumentando o risco de convulsões, parada cardíaca e morte.
O que são as chamadas “jujubas de nóia”
As balas podem conter diferentes substâncias psicoativas de alto risco. Entre as mais identificadas em apreensões estão:
LSD (dietilamida do ácido lisérgico)
Um dos alucinógenos mais potentes conhecidos. Tradicionalmente encontrado em papel mata-borrão, também aparece diluído em balas de goma. Provoca alucinações, distorção do tempo e das sensações, podendo desencadear crises de pânico e quadros psicóticos.
MDMA (ecstasy)
Droga sintética de efeito estimulante e alucinógeno. É moldada em formatos e cores variadas para identificar fornecedores. Pode causar euforia momentânea, mas também desidratação, confusão mental e aumento perigoso da temperatura corporal.
Canabinoides sintéticos
Substâncias que imitam a maconha, porém com potência muito maior. Os efeitos incluem convulsões, vômitos, colapso físico, estados de confusão extrema, coma e até morte.
Apreensão em Salvador
Nesta quinta-feira (5), a Polícia Civil apreendeu uma grande quantidade de drogas sintéticas em Salvador durante a Operação Contenção. Entre o material, estavam 450 unidades de LSD em formato de jujuba, prontas para comercialização durante o período do Carnaval. Um homem foi preso na ação.
Como identificar e o que fazer
Visualmente, não há diferenças confiáveis entre a jujuba comum e a versão com droga. Diante de qualquer suspeita, a orientação é clara: não consumir e acionar as autoridades.
É importante reforçar que as drogas em formato de jujuba não têm qualquer relação com as jujubas tradicionais vendidas em supermercados, que são produtos regulamentados e seguros.
Na Bahia, a Secretaria da Segurança Pública e a Polícia Civil mantêm operações constantes de combate ao tráfico de drogas, com atenção especial aos entorpecentes sintéticos. A Anvisa também atua na proibição de novas substâncias psicoativas identificadas em apreensões recentes.
Por Ataíde Barbosa/Foto: N1N


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