A tradicional Festa dos Pescadores de Mapele, em Simões Filho, entrou na reta final de organização ainda cercada por incertezas. Em entrevista ao programa Panorama de Notícias, da Simões Filho FM 87.9, nesta segunda-feira (14), o presidente da Associação Comunidade Unida de Mapele (Comun), Kiko Ferreira, revelou detalhes das tratativas com a Prefeitura e fez duras críticas à condução do processo pela gestão municipal.
Segundo Kiko, a associação protocolou no dia 16 de julho o ofício nº 8212/2026, solicitando apoio para a realização da festa. De acordo com ele, o documento foi encaminhado à Secretaria Municipal de Cultura com antecedência e acompanhado de toda a documentação necessária para a realização do evento.
O presidente da Comun afirmou que, apesar do protocolo, a associação passou semanas sem receber uma resposta definitiva. A situação, segundo ele, só avançou depois que o vereador Moisés Santos e Elimário ajudaram a intermediar uma conversa com o prefeito Devaldo Soares, Del.
Na reunião, realizada na semana passada, Kiko esperava que fossem definidos os principais pontos da festa, mas relatou que a administração municipal alegou dificuldades orçamentárias e apresentou como alternativa a realização de uma programação mais simples, com mini trio.
A proposta, porém, não foi aceita pela organização.
Para Kiko, a Festa dos Pescadores possui uma identidade própria e não pode ser transformada em apenas um evento musical. Ele explicou que a programação tradicional envolve diversas manifestações culturais e esportivas que fazem parte da história de Mapele, como o presente nas águas, a lavagem da praça, a corrida rústica e a corrida de canoas.
“Com um trio eu não faço. A nossa festa é cultural, é algo muito grande”, afirmou durante a entrevista.
O dirigente lembrou que, nos últimos anos, a festa recebeu atrações de diferentes níveis, incluindo artistas de expressão regional e nacional. Ele citou apresentações anteriores de nomes como Kevin Jones, O Polêmico e Simone Morena, destacando que o evento se consolidou como uma das principais manifestações culturais da comunidade.
Kiko também revelou que a própria organização já vinha trabalhando para buscar alternativas para reduzir os custos da Prefeitura. Segundo ele, foram iniciadas conversas com empresários e artistas para montar uma grade considerada viável financeiramente. Entre os nomes mencionados estão Silvano Sales, Iago Danadinho e Samba Tratu.
A presença de Silvano Sales, em especial, seria uma reivindicação antiga da comunidade, segundo Kiko. O artista é natural da região e, de acordo com o presidente da Comun, representa um desejo dos moradores para a programação da festa.
“É um sonho da comunidade ter Silvano Sales tocando aqui na Festa dos Pescadores”, afirmou.
Outro ponto de preocupação apresentado durante a entrevista foi o prazo. Kiko destacou que, mesmo que a Prefeitura confirme a realização do evento nos próximos dias, será necessário tempo para contratação, divulgação e organização da estrutura.
Para ele, não seria suficiente anunciar uma festa às vésperas da realização.
“Não adianta a gente fazer uma festa, colocar até o Silvano na grade e só divulgar um dia antes da festa. Porque aí não vai dar em ninguém”, declarou.
Críticas à condução da cultura
Durante a conversa, Kiko também questionou a forma como a Prefeitura estaria conduzindo as tratativas. Segundo ele, tradicionalmente a Secretaria de Cultura participava diretamente da organização e, junto com a associação e o prefeito, definia questões como apoio financeiro, contratação de bandas e estrutura.
Na avaliação dele, atualmente o processo estaria mais concentrado na Secretaria de Planejamento, o que teria provocado dificuldades na comunicação com a organização.
“É a Secretaria de Planejamento que está conversando com a gente sobre a festa. Como é que existe a Secretaria de Cultura?”, questionou.
Kiko afirmou ainda que já havia apresentado o projeto ao secretário de Cultura, encaminhado fotografias do protocolo e apresentado as autorizações necessárias para a realização do evento. Segundo ele, a associação já teria organizado documentos relacionados a som, órgãos de trânsito e segurança.
Na visão do dirigente, faltaria agora uma definição da Prefeitura sobre quais bandas e estruturas receberiam apoio.
Promessa feita no ano anterior
Outro momento importante da entrevista foi quando Kiko relembrou um compromisso que, segundo ele, teria sido assumido pelo prefeito no ano passado.
De acordo com o presidente da Comun, em 2025 a Prefeitura teria disponibilizado um formato mais simples para a festa, com mini trio e bandas, com a sinalização de que, em 2026, o evento voltaria ao formato tradicional.
Kiko disse que aceitou a proposta naquele momento, mas agora considera que a comunidade espera o cumprimento do compromisso.
“Eu falei: pronto, beleza, fechou. Aí a gente fez ano passado. Mas esse ano eu não aceito o que tem que ser. Tem que ser do jeito que a festa sempre fez”, declarou.
Mapele como patrimônio cultural e turístico
A entrevista também ganhou um tom de cobrança mais amplo quando Kiko falou sobre a situação de Mapele. Para ele, o problema não se limita à realização da festa.
O presidente da Comun afirmou que o distrito possui belezas naturais e manifestações culturais que poderiam ser utilizadas para fortalecer o turismo e movimentar a economia local.
Na avaliação dele, pequenos investimentos poderiam gerar retorno muito maior para o município.
“Isso aqui é uma beleza natural incrível. Todo mundo que chega aqui se apaixona. Só os gestores daqui que infelizmente não têm esse olhar”, afirmou.
Kiko citou ainda iniciativas de preservação ambiental e mobilização comunitária, destacando ações relacionadas ao manguezal e a participação de moradores e visitantes.
Para ele, a Festa dos Pescadores funciona justamente como uma vitrine de Mapele, levando pessoas de outras regiões para conhecer o distrito.
Festa também movimenta a economia
Outro argumento apresentado por Kiko foi o impacto econômico do evento.
Segundo ele, a festa beneficia diretamente comerciantes, vendedores, trabalhadores informais e catadores de materiais recicláveis. O dirigente explicou que, durante o evento, moradores conseguem aumentar suas vendas e gerar renda.
“Não é uma festa só pra festa. É pra comunidade”, resumiu.
Na visão de Kiko, o investimento na festa não deve ser analisado apenas pelo custo da contratação de artistas ou da estrutura. O evento, segundo ele, também representa uma oportunidade de movimentar a economia de Mapele.
“Antes de representar qualquer grupo, eu sou comunidade”
Um dos momentos mais fortes da entrevista ocorreu quando Kiko foi questionado sobre a possibilidade de sofrer algum tipo de retaliação por fazer críticas à administração municipal.
Ele afirmou que não teme consequências políticas e ressaltou que sua prioridade é representar os moradores de Mapele.
“Antes de fazer parte de qualquer grupo de gestão, eu sou comunidade. Primeiro é minha comunidade”, declarou.
Kiko também disse que pretende continuar cobrando melhorias para o distrito, independentemente de sua relação política com a administração.
Reunião pode definir futuro da festa
Ao final da entrevista, Kiko informou que teria uma nova reunião com a secretária de Planejamento, Janilce, nesta terça-feira (15). Segundo ele, a expectativa é que o encontro possa finalmente definir se a Prefeitura dará o sinal verde para a realização da Festa dos Pescadores.
O presidente da Comun afirmou que a associação está preparada para avançar rapidamente caso receba a autorização.
Ele destacou que já existem contatos com artistas, negociações em andamento e planejamento da estrutura. O que faltaria, segundo ele, seria a confirmação oficial da Prefeitura.
Kiko encerrou fazendo um apelo à comunidade e reafirmando que a Comun continuará buscando a realização do evento.
“Se depender da gente, a gente irá realizar a maior festa da cidade, a maior festa cultural da cidade”, afirmou.
Caso a festa não seja confirmada, Kiko disse que a associação deverá divulgar uma nova manifestação pública e convocar os moradores para cobrar explicações da administração.
Enquanto isso, a comunidade de Mapele aguarda a reunião prevista para esta terça-feira. A expectativa é de que, depois de quase dois meses desde o protocolo do pedido, finalmente haja uma definição sobre o futuro da tradicional Festa dos Pescadores.
Por Atgaíde Barbosa/Foto: Imagem gerada por IA


Nenhum comentário:
Postar um comentário