Entre 2019 e 2025, o Hospital Municipal de Simões Filho passou por um período que, para muitos moradores, ainda é lembrado como uma das fases mais positivas da unidade. Durante seis anos, a Fundação da Associação Bahiana de Medicina (Fabamed) esteve à frente da administração do hospital e deixou uma marca que permanece na memória de quem utilizava os serviços de saúde pública do município.
A saída da instituição, no fim de 2025, encerrou um ciclo administrativo, mas também abriu espaço para comparações. Atualmente, a lembrança daquele período aparece cada vez que pacientes e familiares enfrentam dificuldades para conseguir atendimento, medicamentos ou outros serviços na rede municipal.
Não se trata apenas de saudade. Trata-se da lembrança de uma época em que, segundo a própria Fabamed, o Hospital Municipal conseguiu manter o abastecimento de medicamentos e alimentação, além de organizar os fluxos de atendimento e encaminhamento dos pacientes.
O presidente da Fabamed, José Saturnino Rodrigues, resumiu o período como uma missão cumprida.
“Encerramos nosso ciclo em Simões Filho com a sensação de dever cumprido. Foram seis anos de muito trabalho, dedicação e compromisso com a população”, afirmou.
Seis anos que deixaram uma comparação inevitável
Somente em 2025, último ano de gestão da Fabamed, foram realizadas mais de 150 regulações para unidades próprias, garantindo o encaminhamento de pacientes que precisavam de atendimento especializado.
Outro aspecto destacado pela instituição foi a manutenção do abastecimento hospitalar. Segundo José Rodrigues, durante os seis anos de administração não houve desabastecimento de medicamentos e alimentação para os pacientes.
“Mesmo diante das dificuldades do sistema público, nunca faltaram medicamentos nem alimentação para os pacientes”, declarou.
Esse tipo de resultado ajuda a explicar por que a saída da Fabamed não passou despercebida. Para uma parcela da população, o fim daquela gestão representou a perda de um modelo que havia criado uma determinada expectativa sobre o funcionamento do Hospital Municipal.
E é justamente aí que está o ponto mais incômodo: quando uma gestão deixa de estar à frente de uma unidade pública, o que fica é o serviço prestado à população. E, quando esse serviço era percebido como eficiente, a comparação com o presente torna-se inevitável.
Hoje, moradores que conheceram o hospital durante a gestão da Fabamed ainda fazem referência à organização, ao abastecimento e ao atendimento daquele período. A pergunta que fica para o poder público é simples: o que aconteceu com aquele padrão de funcionamento?
Um legado que não terminou com o contrato
A Fabamed também apostou em um modelo de gestão humanizada, com atenção não apenas à estrutura administrativa, mas ao tratamento dispensado aos pacientes e às famílias que procuravam a unidade em momentos de vulnerabilidade.
Nas redes sociais, ao encerrar a parceria, a fundação fez questão de reconhecer os profissionais que participaram da trajetória.
“Seis anos de gestão do Hospital Municipal de Simões Filho. Nosso reconhecimento a cada colaborador.”
Foram seis anos de trabalho que, independentemente de qualquer mudança administrativa, passaram a fazer parte da história da saúde pública de Simões Filho.
O contrato terminou. A equipe deixou a unidade. A gestão mudou.
Mas o parâmetro ficou.
E talvez esse seja o maior legado deixado pela Fabamed: mostrar, na prática, que o Hospital Municipal poderia funcionar com organização, abastecimento e uma proposta de atendimento humanizado.
Por isso, a ausência daquela gestão ainda é sentida. Não apenas pela lembrança de quem trabalhou ou foi atendido no hospital, mas principalmente por uma população que sabe, porque vivenciou, que é possível cobrar mais da saúde pública.
A Fabamed saiu de Simões Filho em 2025. Mas seis anos de gestão deixaram uma pergunta que continua sem resposta para muitos moradores: por que aquilo que funcionava deixou de ser referência?
Por Ataíde Barbosa


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