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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Muito além da cafeína: estudo aponta que café pode favorecer diversidade de bactérias no intestino


Uma xícara de café pode estar fazendo muito mais do que ajudar a espantar o sono pela manhã. Uma pesquisa internacional, com dados de mais de 22 mil pessoas em 25 países, encontrou uma associação entre o consumo habitual da bebida e uma maior diversidade de microrganismos presentes no intestino.

O levantamento chamou atenção dos pesquisadores principalmente pela presença de determinadas espécies de bactérias em maior quantidade entre os consumidores de café. Uma delas foi a Lawsonibacter asaccharolyticus, encontrada em níveis de seis a oito vezes maiores entre pessoas que tinham o hábito de beber café.

A bactéria também aparece no intestino de indivíduos que não consomem a bebida, mas a diferença observada entre os grupos despertou o interesse científico para entender de que maneira os componentes do café podem influenciar o ambiente intestinal.

Efeito pode não estar ligado à cafeína

Um dos resultados mais curiosos é que a associação também foi observada entre pessoas que consumiam café descafeinado. O dado levanta a possibilidade de que a relação entre a bebida e a microbiota intestinal não dependa exclusivamente da cafeína.

A hipótese envolve outros componentes presentes naturalmente no café, especialmente os polifenóis. Essas substâncias podem chegar ao intestino e interagir com os microrganismos que vivem no sistema digestivo, sendo transformadas em diferentes metabólitos.

Entre os compostos relacionados a esse processo estão o ácido quínico e o hipurato, substâncias que já aparecem em pesquisas científicas associadas a aspectos da saúde metabólica e cardiovascular.


Por que a microbiota é tão importante?

A microbiota intestinal é formada por uma enorme comunidade de bactérias e outros microrganismos que vivem no trato digestivo. Esse ecossistema participa de diferentes processos do organismo e sua diversidade é considerada um dos aspectos relevantes para a saúde intestinal.

Por isso, a descoberta amplia a discussão sobre os possíveis efeitos do café no organismo. Em vez de analisar a bebida apenas pela capacidade de estimular o sistema nervoso e aumentar a sensação de disposição, os pesquisadores também passaram a observar como seus componentes interagem com os microrganismos do intestino.

O estudo identificou mais de 100 espécies bacterianas associadas ao consumo de café, mostrando que a relação entre a bebida e a microbiota pode ser mais complexa do que uma simples ação da cafeína.

Descafeinado também apresenta associação

Para quem prefere ou precisa optar pelo café descafeinado, o resultado traz um dado particularmente interessante. A identificação de padrões semelhantes na microbiota entre consumidores de versões com cafeína e descafeinadas reforça a possibilidade de que outras substâncias da bebida estejam envolvidas no fenômeno.

Os resultados, porém, mostram uma associação entre consumo de café e características da microbiota e não significam que o café, sozinho, seja responsável por melhorar a saúde intestinal. Outros fatores relacionados à alimentação e ao estilo de vida também podem influenciar a composição das bactérias do intestino.

Ainda assim, a descoberta abre espaço para novas investigações sobre a interação entre uma das bebidas mais consumidas no mundo e o complexo universo de microrganismos que habita o organismo humano.




Por Ataíde Barbosa/Foto: Pexels

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