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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Delação de ex-dono da Reag cita Jaques Wagner e ACM Neto em investigação sobre Banco Master

O ex-controlador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, apresentou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma proposta de acordo de delação premiada que está nos ajustes finais antes de uma possível assinatura. O material, segundo informações divulgadas pelo UOL, menciona o senador Jaques Wagner (PT-BA), candidato à reeleição, e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), que disputa o Governo da Bahia.

O principal foco da colaboração, porém, seria o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e supostas irregularidades envolvendo operações financeiras realizadas por meio de fundos de investimento administrados pela Reag.

Ingressos para Taylor Swift

No caso de Jaques Wagner, o material apresentado por Mansur relata a obtenção de ingressos para o show da cantora Taylor Swift no Allianz Parque, em São Paulo, em 2023. Os bilhetes teriam sido avaliados em R$ 63,3 mil.

Segundo o relato, os ingressos foram solicitados a Mansur por Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro no Banco Master, com a intenção de presentear o senador baiano.

Wagner negou qualquer relação com Mansur e afirmou que não conhece o empresário. O senador também declarou que os ingressos foram obtidos a partir de um pedido pessoal feito por Lima a um amigo, que teria buscado ajudá-lo a conseguir as entradas.
Fundo de ACM Neto era administrado pela Reag

ACM Neto é citado em outro contexto. O ex-prefeito era proprietário exclusivo do fundo Seattle 95, administrado pela Reag até 2025. O fundo realizou aplicações no Structure, investimento formado a partir de operações de empréstimos consignados originados pelo Banco Master.

Em manifestação sobre o caso, Neto afirmou que o Seattle 95 foi criado no final de 2021 com recursos próprios, de origem declarada e lícita. Segundo o político, a contratação da Reag ocorreu dentro das regras estabelecidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Neto também sustentou que a rentabilidade do fundo esteve dentro dos padrões do mercado e que os impostos correspondentes foram devidamente recolhidos. Ele classificou as operações como transparentes e submetidas à regulamentação da CVM.

De acordo com os dados divulgados, o Seattle 95 destinou cerca de R$ 4,8 milhões ao Structure em quatro operações realizadas entre novembro de 2021 e julho de 2025. Em fevereiro de 2023, esse investimento chegou a representar 98,6% do patrimônio do fundo.

Ainda conforme as informações, ACM Neto fez dez aportes no Seattle 95, totalizando R$ 7,92 milhões. Em outubro de 2025, o patrimônio do fundo teria alcançado R$ 11,94 milhões, resultado que representava um ganho de aproximadamente R$ 4,01 milhões e uma rentabilidade média de 17% ao ano.

A Reag também administrava outros fundos relacionados a pessoas mencionadas nas investigações envolvendo o Banco Master, entre eles o Astralo 95, o Haena 808, ligado a Augusto Ferreira Lima, e o Whynot, de Valério Marega Júnior, citado nas apurações que envolvem Jaques Wagner.

Mansur aponta operações envolvendo Vorcaro

A colaboração proposta por Mansur tem como principal alvo Daniel Vorcaro. Antes de apresentar a proposta à PGR, o empresário teria tentado negociar uma delação conjunta com o ex-controlador do Banco Master, quando os dois eram clientes do advogado José Luís de Oliveira. A iniciativa, contudo, não avançou.

Posteriormente, Mansur passou a ser representado pelo criminalista Aloísio Medeiros.

Na proposta apresentada às autoridades, Mansur afirma que a Reag prestava serviços ao Banco Master e a Vorcaro desde 2019, período em que o empresário assumiu o controle da instituição. De acordo com o relato, a administradora estruturava operações financeiras por meio de fundos de investimento.

O executivo também teria relatado que determinados fundos administrados pela Reag foram utilizados em operações que, segundo sua versão, serviriam para desviar recursos do banco. As transações envolveriam supostos intermediários e estruturas financeiras mantidas no exterior.

Mansur teria entregue à PGR documentos relacionados às operações e às negociações que afirma ter realizado diretamente com Vorcaro.

Apesar das informações apresentadas, a delação ainda não foi formalmente assinada. Caso o acordo seja concluído, a proposta deverá ser encaminhada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pelo caso. Caberá ao magistrado avaliar a homologação da colaboração, desde que sejam cumpridos os requisitos previstos na legislação.

Até eventual homologação e comprovação das acusações, as informações apresentadas por Mansur permanecem no campo das alegações feitas no âmbito de uma negociação de colaboração premiada.





Por Ataíde Barbosa/Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado - Divulgação

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