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terça-feira, 18 de agosto de 2026

Casas Bahia fecha quase 300 lojas e corta 3 mil empregos antes de pedir recuperação judicial


O Grupo Casas Bahia fechou quase 300 lojas e demitiu cerca de 3 mil funcionários somente em agosto de 2026, em meio à mais grave crise financeira de sua história, segundo informações apresentadas pela própria companhia à Justiça de São Paulo.

As medidas fazem parte da segunda etapa do processo de reestruturação iniciado pela varejista em 2023. A estratégia tem como objetivo reduzir despesas, reorganizar a estrutura financeira e preservar a continuidade das operações diante do aumento do endividamento.

De acordo com a petição apresentada no pedido de recuperação judicial, a companhia enfrenta dificuldades provocadas principalmente pelo cenário de juros elevados, redução do consumo de bens duráveis, aumento da inadimplência e transformação do setor varejista com o avanço das vendas digitais.

Mais de 11 mil empregos foram cortados

A atual rodada de demissões se soma aos cortes realizados desde 2023. Naquele ano, o chamado Plano de Transformação levou ao fechamento de 55 unidades consideradas deficitárias e à eliminação de aproximadamente 8,6 mil postos de trabalho.

Com as medidas adotadas em agosto deste ano, o grupo chega a uma redução estimada de 11,6 mil empregos e ao encerramento de cerca de 355 lojas desde o início da reestruturação.

Apesar dos cortes, a empresa afirma que ainda mantém mais de 20 mil trabalhadores e uma rede com mais de 700 lojas físicas em funcionamento.

Além da redução do quadro de funcionários e do número de unidades, a companhia também adotou medidas como diminuição de estoques, redução de investimentos e ajustes em seus centros de distribuição.

Dívida chega a R$ 17,3 bilhões

O pedido de recuperação judicial foi apresentado pela companhia à Justiça de São Paulo no domingo (16) e envolve a própria Casas Bahia e outras nove empresas do grupo.

A varejista busca renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas e afirma que a medida é necessária para recuperar o equilíbrio financeiro e garantir a manutenção das atividades.

Antes disso, em 2024, a empresa havia recorrido a uma recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras. A expectativa naquele momento era de que a redução dos juros e uma possível retomada do consumo ajudassem na recuperação do negócio.

Segundo a companhia, porém, o cenário econômico permaneceu adverso e o custo elevado da dívida continuou pressionando o caixa.

Operações devem continuar

Mesmo diante do pedido de recuperação judicial, o Grupo Casas Bahia informou que pretende manter abertas suas lojas físicas e continuar operando normalmente por meio do comércio eletrônico e dos demais canais de venda.

A empresa sustenta que suas operações permanecem viáveis e que a recuperação judicial será utilizada como instrumento para reorganizar as finanças, renegociar os débitos e preservar empregos.

O processo ainda precisa seguir as etapas previstas pela Justiça e pela legislação brasileira. Caso seja aceito, a companhia deverá apresentar um plano para reorganização das dívidas e continuidade dos negócios.





Por Ataíde Barbosa/Foto: Reprodução

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