O transporte clandestino de animais silvestres continua sendo um dos principais desafios nas rodovias que atravessam a Bahia, revelando a existência de rotas bem definidas e uma cadeia estruturada de tráfico interestadual. Levantamentos da Polícia Rodoviária Federal (PRF) indicam que, apenas em 2024, mais de 10,8 mil animais foram apreendidos no estado. Em 2025, o volume segue elevado, com cerca de 9,1 mil registros, mantendo o alerta das autoridades.
Entre os animais resgatados, as aves aparecem como maioria absoluta, refletindo a alta demanda no mercado ilegal. Répteis e mamíferos também são encontrados, embora em menor quantidade. Independentemente da espécie, a forma de transporte costuma ser marcada por maus-tratos: os animais são escondidos em bagagens, caixas improvisadas ou gaiolas pequenas, quase sempre sem condições mínimas de sobrevivência.
As fiscalizações apontam que o tráfico se concentra em importantes corredores rodoviários, com destaque para a BR-116, além das BR-101 e BR-242. Essas vias funcionam como rotas estratégicas para o deslocamento dos animais entre regiões de captura e centros de comercialização.
Um caso recente registrado no município de Poções, no sudoeste baiano, exemplifica a dinâmica do crime. Durante abordagem a um ônibus interestadual que fazia a linha entre São Paulo e Ceará, agentes encontraram quatro ouriços-pigmeus-africanos no bagageiro. Os animais estavam sem documentação e em condições inadequadas, evidenciando o padrão recorrente das apreensões.
No Brasil, o transporte de animais exige documentação específica, identificação e comprovação de origem legal. O descumprimento dessas normas configura crime ambiental, sujeito a multas e outras sanções.
Além do impacto direto sobre a fauna, o tráfico de animais também representa riscos à saúde pública, devido à possibilidade de disseminação de doenças. Mesmo com operações constantes, os números reforçam que o problema ainda persiste em larga escala, exigindo intensificação das ações de combate e maior conscientização social.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Divulgação/ViaBahia


Nenhum comentário:
Postar um comentário