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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Mutirão oftalmológico na Bahia termina em tragédia e pacientes denunciam perda de visão


Um mutirão oftalmológico realizado em Irecê está no centro de uma grave denúncia envolvendo pelo menos 24 pacientes que afirmam ter perdido a visão após procedimentos realizados em uma clínica particular conveniada ao Sistema Único de Saúde. Os atendimentos ocorreram entre os dias 28 de fevereiro e 1º de março no Centro Médico e Odontológico (Ceom).

De acordo com relatos reunidos pelo advogado Joviniano Dourado Lopes Neto, que representa parte dos pacientes, todos os casos envolvem complicações após aplicações intravítreas — procedimento considerado seguro quando realizado dentro dos protocolos. “Todos os 24 pacientes tiveram perda de visão em pelo menos um dos olhos. Em alguns casos, a perda foi bilateral e houve situações extremas com necessidade de retirada do globo ocular”, afirmou.

Segundo ele, os pacientes desenvolveram Endoftalmite, uma infecção severa que pode evoluir rapidamente e causar danos permanentes. A principal suspeita levantada é de possível falha nos protocolos de biossegurança durante o mutirão, especialmente diante do grande volume de atendimentos realizados em curto espaço de tempo.

“Foram centenas de procedimentos em dois dias. Cada aplicação exige material estéril, ambiente controlado e cuidados rigorosos. Isso levanta dúvidas sobre a possibilidade de contaminação cruzada”, destacou o advogado.

Em nota, o Ceom informou que realizou 643 procedimentos e reconheceu intercorrências em 24 pacientes submetidos à terapia antiangiogênica, destacando que todos estão em acompanhamento médico contínuo. A unidade afirma que parte dos pacientes apresenta evolução clínica positiva, com melhora progressiva.

O caso também levanta questionamentos sobre possíveis vínculos políticos na gestão da unidade. O diretor-geral do Ceom, Dermival Franca Filho, é casado com a médica Joelma Matos, que atua no local e é irmã do ex-prefeito Elmo Vaz. O atual gestor do município, Murilo Franca, é aliado político do ex-prefeito.

A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia foi procurada, mas não se manifestou até o momento. Segundo o advogado, foi o próprio Estado que encaminhou pacientes ao mutirão.

Casos semelhantes já haviam sido registrados recentemente em Salvador, onde pacientes também relataram perda de visão após procedimentos oftalmológicos em regime de mutirão. A repetição de episódios acende um alerta sobre a fiscalização, os protocolos adotados e a segurança desses atendimentos em larga escala.

Enquanto isso, ao menos 11 pacientes já se preparam para acionar a Justiça. Para as vítimas e familiares, a cobrança agora é por responsabilização e, sobretudo, por respostas que evitem que novos casos como esse se repitam.






Por Ataíde Barbosa/Foto: Divulgação

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