O peso da alimentação no orçamento das famílias brasileiras voltou a crescer e acendeu um sinal de alerta em todo o país. Levantamento divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), revela que o custo da cesta básica subiu em todas as capitais, impactando diretamente o poder de compra da população.
A alta generalizada foi puxada por alimentos essenciais no dia a dia do brasileiro. Itens como feijão, carne bovina, leite, tomate e batata registraram aumentos expressivos, influenciados por fatores como redução da oferta, condições climáticas adversas e aquecimento da demanda, inclusive no mercado externo.
O resultado é sentido de forma imediata: o trabalhador precisa dedicar mais horas de trabalho para adquirir os mesmos produtos de antes. Em algumas capitais, o custo da cesta básica já se aproxima de metade do salário mínimo líquido, comprimindo ainda mais o orçamento familiar.
Entre as capitais com os maiores valores, destaque para São Paulo, onde a cesta atingiu R$ 883,94, seguida por Rio de Janeiro (R$ 867,97) e Cuiabá (R$ 838,40). Já entre as mais baratas, aparecem Salvador (R$ 662,14), Recife (R$ 654,62) e Aracaju, com o menor custo do país, de R$ 598,45.
Apesar de algumas capitais do Nordeste apresentarem valores mais baixos, isso não significa alívio para a população local. A renda média também é menor, o que mantém o impacto elevado no orçamento das famílias.
Diante desse cenário, o Dieese calcula que o salário mínimo ideal para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.425,99 — mais de quatro vezes o valor atual. A estimativa evidencia o descompasso entre o custo real de vida e a renda do trabalhador brasileiro, reforçando o desafio econômico enfrentado diariamente por milhões de pessoas.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Divulgação/N1N


Nenhum comentário:
Postar um comentário