A situação do atendimento na rede pública de saúde de Simões Filho tem gerado crescente preocupação entre moradores do município da Região Metropolitana de Salvador. Nos últimos dias, pacientes e acompanhantes têm denunciado problemas no funcionamento do Hospital Municipal de Simões Filho, relatando superlotação, demora no atendimento e dificuldades na estrutura da unidade.
As reclamações surgem pouco mais de dois meses após a mudança na gestão do hospital. Até então, a administração estava sob responsabilidade da Fabamed. A gestão municipal, comandada pelo prefeito Del Soares, decidiu substituir a instituição pela S3 Gestão em Saúde, com a promessa de melhorar o atendimento e reorganizar os serviços oferecidos à população.
Apesar da mudança, relatos de moradores indicam que as dificuldades permanecem. Segundo denúncias recebidas nesta quinta-feira (12), o hospital estaria operando acima da capacidade, com pacientes aguardando atendimento por várias horas. Em alguns casos, pessoas aguardavam em cadeiras, corredores e até em espaços improvisados devido à grande quantidade de atendimentos.
A situação tem provocado indignação entre usuários do sistema público. Muitos afirmam que chegam à unidade sem qualquer previsão de atendimento, mesmo em casos de pessoas que apresentam sintomas mais graves.
“A gente chega aqui e não sabe quando vai ser atendido. Tem gente passando mal e esperando há muito tempo”, relatou um acompanhante que preferiu não se identificar.
Outro episódio que chamou a atenção de pacientes foi a presença de um cachorro circulando dentro da unidade hospitalar enquanto pessoas aguardavam atendimento. A cena gerou críticas entre moradores e reforçou questionamentos sobre a organização e o controle sanitário do ambiente.
Especialistas em saúde pública ressaltam que unidades hospitalares precisam manter protocolos rígidos de higiene e controle sanitário, justamente para proteger pacientes, especialmente aqueles com o sistema imunológico mais vulnerável.
Diante das denúncias, moradores cobram esclarecimentos da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Saúde sobre as condições de funcionamento da unidade. Para grande parte da população de Simões Filho, o hospital municipal representa a principal porta de entrada para atendimento médico, sobretudo para quem depende exclusivamente do sistema público de saúde.
Enquanto as cobranças por melhorias aumentam, pacientes continuam enfrentando filas, demora e dificuldades no atendimento, situação que impacta diretamente a rotina e a qualidade de vida de milhares de moradores do município.
Em Nota, a empresa S3 se manifestou sobre as denuncias.
A S3 Gestão em Saúde, entidade gestora do Hospital Municipal de Simões Filho, esclarece que não procedem as denúncias apresentadas e informa que a unidade segue funcionando regularmente, com assistência mantida e monitoramento contínuo dos fluxos assistenciais e operacionais.
Sobre os pontos mencionados, a empresa afirmou que não há registro institucional que comprove situação generalizada de inadequação assistencial na unidade e que o hospital mantém seus serviços em funcionamento, com equipes técnicas atuantes, protocolos assistenciais estabelecidos e acompanhamento permanente da gestão.
Em relação às alegações de desligamento de médicos, a empresa informou que a gestão de escalas e a composição das equipes são realizadas de forma técnica e responsável, observando critérios assistenciais, contratuais e operacionais, e que todas as escalas da unidade se encontram completas.
Sobre a suposta ausência de especialistas, como obstetras e ortopedistas, a S3 afirmou que a unidade mantém cobertura assistencial compatível com sua demanda e com o perfil de atendimento contratado, não havendo, segundo a empresa, cenário de ausência estrutural dessas especialidades que comprometa a assistência.
A empresa também negou que o hospital esteja operando acima da capacidade. De acordo com a gestora, a unidade funciona com acompanhamento contínuo da demanda, da ocupação e dos fluxos internos, com adoção de medidas operacionais necessárias para assegurar o atendimento à população. A empresa afirma que momentos de maior procura podem ocorrer, mas que isso não significa colapso ou incapacidade estrutural da unidade.
Por fim, a S3 afirmou que atua com responsabilidade, transparência e compromisso com a assistência prestada à população, mantendo acompanhamento permanente dos indicadores da unidade e adotando medidas contínuas de qualificação dos processos, das equipes e do atendimento.
Por Ataíde Barbosa/Foto: Reprodução


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