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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Estudo aponta impacto da pobreza no desenvolvimento motor de bebês e reforça importância de estímulos simples

Bebês que vivem em contextos de vulnerabilidade social podem apresentar atrasos no desenvolvimento motor já nos primeiros meses de vida. A conclusão é de uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que identificou diferenças na variedade e na qualidade dos movimentos entre crianças de diferentes condições socioeconômicas.

O estudo acompanhou 88 bebês no interior de São Paulo e observou que, aos seis meses, aqueles inseridos em famílias de baixa renda demonstravam repertório motor mais restrito. Movimentos como sentar sem apoio, virar o corpo e segurar objetos surgiam mais tardiamente quando comparados aos de crianças em ambientes com melhores condições de vida.

De acordo com a pesquisadora responsável pelo trabalho, a limitação não está ligada apenas a fatores biológicos, mas principalmente à escassez de estímulos e oportunidades de exploração. Ambientes com pouco espaço, excesso de tempo em carrinhos ou bebês-conforto e menor interação direta com adultos contribuem para reduzir as experiências motoras essenciais nessa fase.

O alerta se estende para além do aspecto físico. Pesquisas na área do desenvolvimento infantil indicam que atrasos motores podem estar associados, futuramente, a dificuldades de aprendizagem, problemas de atenção e transtornos de coordenação. Ainda assim, especialistas reforçam que a relação não é automática e exige mais investigações.

Um dado positivo revelado pelo estudo é que os atrasos podem ser revertidos rapidamente quando há orientação adequada. Aos oito meses, muitas das crianças avaliadas já apresentavam avanços significativos após receberem estímulos simples em casa. Atividades como colocar o bebê de bruços sob supervisão (tummy time), conversar, cantar, oferecer objetos com diferentes texturas e sons e permitir que a criança explore o chão de forma segura mostraram impacto relevante.

A pesquisa também identificou que mães adolescentes e responsáveis solo enfrentam mais desafios, sobretudo pela sobrecarga e falta de informação. Nesse contexto, visitas domiciliares de profissionais de saúde e programas de orientação parental podem fazer diferença decisiva.

Outro ponto observado foi que domicílios com muitos moradores nem sempre significam maior estímulo. Em alguns casos, o ambiente pode se tornar desorganizado e com menos espaço seguro para a criança se movimentar livremente.

Dados recentes do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) indicam que centenas de milhões de crianças vivem em situação de pobreza no mundo, expostas a privações que afetam saúde, educação e desenvolvimento. O estudo brasileiro reforça que, embora a pobreza represente um fator de risco, intervenções simples, acessíveis e bem orientadas podem transformar a trajetória de desenvolvimento infantil nos primeiros meses de vida.




Por Ataíde Barbosa/Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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